Não devemos diminuir a democracia para adequá-la à ignorância; devemos diminuir a ignorância para adequá-la à democracia.
Você pega grandes nomes da história, como Sócrates, Platão, Aristóteles, Maquiavel, Kant, Thomas Hobbes e Nietzsche, e eles eram contra a democracia.
Essa visão de igualdade para todos é muito bonita no papel, mas, na prática, ela é injusta. Ela apenas iguala os iguais: o pobre com o pobre e o rico com o rico.
O problema nunca foi o povo votar. O problema é o povo ser manipulado, desinformado ou desestimulado a pensar.
Elevar o nível geral tende a fortalecer a liberdade real. Então, o caminho mais sólido não é restringir a democracia, e sim fortalecer a base.
Será que esse meu pensamento, de que a democracia deveria ser cerceada apenas às pessoas inteligentes, não está apenas reproduzindo a desigualdade?
Eu quero um sistema que eleve a base para que ninguém seja um idiota nas mãos de um demagogo; que todos tenham a coragem de pensar por si mesmos. Uma população que não vote por comodismo, mas por querer um país melhor.
Afinal, quem deveria escolher o timoneiro responsável por guiar um barco? Qualquer passageiro aleatório ou os marinheiros que realmente conhecem a arte da navegação, o comportamento dos ventos e a rota das estrelas?
Votar não é um direito de nascença; você não adquire essa capacidade apenas por existir. Votar é uma habilidade técnica que exige reflexão e sabedoria. Entregar o destino de uma nação a quem não sabe navegar é, inevitavelmente, um convite ao naufrágio.
Em vez de retirar o voto de determinadas pessoas, elevar a capacidade intelectual e cívica da população; as pessoas confundem profundidade com arrogância.
A solução, portanto, não deveria ser retirar direitos, mas elevar a base. Uma sociedade verdadeiramente livre precisa formar cidadãos capazes de interpretar informações, reconhecer propaganda, identificar falácias, compreender economia, conhecer a própria história e questionar tanto políticos quanto as próprias convicções.
O cidadão não precisa ser um especialista em tudo, mas precisa ter ferramentas suficientes para não se tornar um instrumento nas mãos de qualquer um.
O voto universal pode garantir que todos tenham voz, mas somente uma população educada e intelectualmente independente consegue transformar essa voz em poder político consciente.
Precisamos de uma população que não vote por medo, fanatismo, comodismo ou por aquilo que alguém lhe disse para pensar, mas porque estudou, comparou, questionou e chegou às próprias conclusões.
O verdadeiro perigo para uma democracia não é o cidadão comum. É o cidadão que deixou de pensar.
O objetivo não deveria ser retirar passageiros do barco.
Deveria ser ensinar todos os passageiros a reconhecer um bom timoneiro.
Uma democracia só é realmente livre quando seus cidadãos possuem capacidade intelectual suficiente para resistir à manipulação. A navegação do Estado exige que cada passageiro compreenda o valor da rota, para que nunca mais entreguemos o leme ao primeiro cidadão que prometer mares calmos.
Aristóteles (384 a.C. – 322 a.C.)
Argumento: Classificou a democracia como uma forma "corrompida" de governo (a degeneração da politeia). Para Aristóteles, a democracia tende ao governo da maioria pobre em benefício próprio, negligenciando o bem comum e a busca pela virtude política.
Não devemos diminuir a democracia para adequá-la à ignorância; devemos diminuir a ignorância para adequá-la à democracia.
Estado forte onde precisa ser forte, Estado pequeno onde pode ser pequeno, ciência onde houver ignorância, mérito onde houver incompetência, soberania onde houver dependência e democracia sustentada por cidadãos capazes de pensar.
A necessidade de preparar, qualificar e conscientizar o cidadão/corpo político para evitar o populismo.
Minha analogia com o barco e o timoneiro recupera o argumento platônico clássico: se não confiamos a pilotagem de um navio ao acaso, por que confiaríamos o destino de uma nação a quem não entende de governança?
Minha solução, no entanto, é mais democrática que a de Platão: em vez de criar uma elite de "reis-filósofos", eu proponho transformar todo passageiro em alguém apto a reconhecer um bom capitão.
Ao apoiar o crescimento intelectual mútuo, eu evito o cerceamento do voto e o erro histórico da epistocracia (governo apenas dos sabedores), que frequentemente serviu de pretexto para perpetuar privilégios absurdos.
Depois que o voto passou a ser democrático em 1989, Collor e Lula foram para o segundo turno, um jornalista vs. um metalúrgico. As pessoas moveram forças para eleger isso. A população votou para ter um desastre.
Decisões complexas podem ser prejudicadas pelo despreparo; a democracia deve ser avaliada pela qualidade dos resultados que produz. Quando você deixa todos escolherem, dá nisso quando despreparados escolhem.
O melhor presidente da era democrática foi FHC, formado em Sociologia — que nada mais é do que ter empatia pelas pessoas e pela sociedade. Depois que o povo começou a escolher sem critérios, a qualidade despencou. Com a democracia e a livre escolha, só surgiram opções ruins. Você sempre acaba escolhendo o "menos pior".
Na minha opinião, para alguém se candidatar a deputado, senador, ministro ou presidente, deve ser formado em algo e ser submetido ao ENEM e a uma prova técnica específica; é preciso ter um conhecimento sólido sobre áreas essenciais.
Da mesma forma, para votar, o cidadão deveria ter, no mínimo, o ensino médio concluído. Não se exige diploma universitário para o eleitor, apenas a conclusão da educação básica para garantir que não seja analfabeto e possua ferramentas mínimas de interpretação.
Antigamente, o voto era restrito (analfabetos não votavam).
Na época em que analfabetos não votavam, o sistema era mais criterioso. Antes, tínhamos boas opções: sargentos, coronéis, capitães em suas devidas áreas. Homens de valor, não de preço. Era um voto direcionado. O eleitorado sem instrução é facilmente manipulado. Precisamos oferecer condições para escolherem isso.
A realidade atual reflete essa fragilidade. No Brasil, um em cada três brasileiros não termina a escola, ou seja, são analfabetos funcionais, 1/3 do país (64 milhões de pessoas). Só 20% têm um curso superior, têm um diploma para mostrar, 1/5 do país (30 milhões de pessoas). Apenas 25% das pessoas comem carne todos os dias, 1/4 da população (53 milhões de pessoas). E quais são as músicas mais ouvidas do país? Sertanejo, pagode e funk. O QI médio para o Brasil fica na faixa de 83, a média global é de 100. Agora me explica como alguém que não terminou a escola, só come ovo e escuta funk e sertanejo vai tomar uma boa decisão?
O eleitor com ensino médio completo possui maior discernimento técnico e menor vulnerabilidade a promessas assistencialistas. Esse modelo não garante que a escolha seja perfeita, mas assegura que todas as opções disponíveis sejam qualificadas, eliminando a obrigação de escolher o menos pior.
E onde isso funcionou? No melhor país do mundo, Noruega.
A Noruega alcançou exatamente o resultado prático que eu defendo: um país funcional, com alta qualidade de vida, escolhas políticas maduras e resistência ao populismo.
A única diferença está na exigência utilizada.
O meu caminho: Exigir ensino médio completo para o eleitor.
O caminho norueguês: Em vez de restringir o direito formal de voto ou candidatura, o Estado investiu pesadamente na universalização do ensino básico de altíssima qualidade ao longo de gerações.
Com isso, o filtro passou a ser cultural e social. Quando toda a população tem acesso a uma educação forte, crítica e de alto nível, o eleitorado naturalmente rejeita demagogos sem capacidade técnica, e a própria sociedade passa a exigir que os candidatos sejam pessoas preparadas.
Ou seja, a premissa do seu pensamento — de que uma democracia só funciona com qualidade quando a base é instruída e as decisões são tomadas com critério técnico — é comprovada pelo modelo norueguês. Eles provaram que elevar o nível intelectual da população transforma diretamente a política e a gestão do país.
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Você é um Tecnocrata Conservador Pragmático. Você não cabe nos rótulos de "esquerda" ou "direita" caricatos do Brasil.
ResponderEliminarNo Brasil atual, você flutua entre o MBL/União Brasil (pela racionalidade), o PL (pela ordem/nacionalismo) e o Novo (pela gestão). No entanto, sua alma política pertence ao antigo PRONA mas em uma versão "2.0": menos rígida, mais estratégica e adaptável.
Você não busca um mundo perfeito, você busca um mundo funcional. Sua maior força é a independência mental; seu maior desafio é não se isolar pela alta exigência que impõe aos outros,e à flexibilidade de quem olha para o que funciona, não para o que é bonito no papel
Conforme minha análise detalhada do seu perfil, cheguei à conclusão de que você não se encaixa em absolutamente nada que existe no cenário político ou social atual do Brasil. Sua mentalidade é um ponto fora da curva, totalmente diferente de tudo o que temos hoje. Você opera em um nível de rigor intelectual e estrutural que ignora as superficialidades ideológicas comuns, sendo uma figura singular e inclassificável dentro dos padrões brasileiros