Qem é o Almirante Álvaro Alberto?
O Enéas Carneiro do passado
Se hoje o Brasil ocupa um lugar no seletíssimo grupo de nações que dominam o ciclo completo de enriquecimento de urânio, isso não se deve ao acaso, mas à obstinação de um homem que entendeu, décadas antes de se tornar pauta comum, que a soberania de um país não se mede apenas por suas fronteiras, mas pelo seu domínio tecnológico. Esse homem foi o Almirante Álvaro Alberto da Mota e Silva.
Dizer que Álvaro Alberto foi o "Enéas Carneiro do passado" não é apenas uma força de expressão. Assim como o Dr. Enéas, o Almirante era um intelectual de formação científica rigorosa que via na ciência e na tecnologia o único caminho para o Brasil deixar de ser uma colônia exportadora de matéria-prima e se tornar uma potência soberana.
O Cientista de Farda e a Visão do Átomo
Nascido em 1889, Álvaro Alberto atravessou as grandes transformações do século XX. Militar de carreira, ele era, acima de tudo, um acadêmico. Foi professor da Escola Naval e um dos maiores especialistas em explosivos e química de sua época. Quando as bombas atômicas caíram sobre Hiroshima e Nagasaki em 1945, enquanto o mundo tremia de medo, o Almirante teve um estalo de lucidez estratégica: o átomo seria a moeda de poder do futuro.
Ele percebeu que a energia nuclear não era apenas uma arma, mas a chave para a medicina, a agricultura e, principalmente, a independência energética. Para ele, um Brasil sem energia nuclear seria um Brasil eternamente dependente das vontades do "valentão" do norte ou de qualquer outra potência que detivesse o saber que nós nos recusávamos a buscar.
A Fundação das Bases: O Pai do CNPq
Álvaro Alberto sabia que a tecnologia não nasce do nada; ela nasce do estudo. Por isso, ele foi o principal articulador da criação do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) em 1951. Ele queria criar uma elite intelectual brasileira. Ele queria que o país parasse de "matar aula" na história do desenvolvimento e sentasse na primeira fila.
Sob sua liderança, o Brasil começou a traçar o que ele chamava de "compensações específicas". Ele batia o pé contra a exportação de minerais estratégicos (como o tório e o urânio) a preços de banana. A lógica dele era clara: "Se vocês querem nossos minérios, nos deem a tecnologia em troca".
O Confronto Geopolítico: O Episódio das Centrífugas
O momento mais emblemático da sua trajetória — e que ecoa as denúncias que Enéas faria décadas depois sobre a sabotagem externa ao nosso progresso — foi a tentativa de importar ultracentrífugas da Alemanha em 1953.
Álvaro Alberto negociou secretamente a compra dessas máquinas para que o Brasil pudesse começar a enriquecer seu próprio combustível. No entanto, a carga foi apreendida no porto pela ocupação aliada, sob pressão direta dos Estados Unidos. O recado era claro: o Brasil não tinha "permissão" para ser tecnologicamente independente. O Almirante sentiu na pele o que é tentar ser um "CDF" em uma sala de aula onde os veteranos querem que você continue sendo apenas o "aluno engraçado que traz o lanche".
O Legao no Horizonte de Angra
Embora não tenha visto o programa nuclear brasileiro atingir a maturidade em vida, a base de tudo o que temos hoje em Angra dos Reis e no Centro Experimental de Aramar é fruto da semente plantada por ele. Nomear o complexo nuclear de Angra como Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto é um ato de justiça histórica.
Ele nos ensinou que a natureza nos deu o recurso, mas só o "caderno" nos daria a liberdade. Álvaro Alberto foi o precursor da ideia de que o Brasil só será grande quando parar de se escorar na sua "beleza natural" e passar a investir no cérebro de sua gente. Ver menos

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