Tenho uma hipótese: talvez nós, humanos, não sejamos originários da Terra. Fizemos com este planeta o mesmo que hoje tentamos fazer com Marte.
Tenho uma hipótese: talvez nós, humanos, não sejamos originários da Terra. Fizemos com este planeta o mesmo que hoje tentamos fazer com Marte.
Por quê? Porque muitos elementos químicos essenciais não são encontrados com facilidade na natureza terrestre. Há alimentos que não existem organicamente na Terra, e o nosso corpo parece mal adaptado ao ambiente que nos cerca. Precisamos de casas e roupas para suportar o frio, enquanto um animal pode ficar na chuva e dormir ao relento. Nossos dentes não são projetados para caçar, morder e arrancar a carne de um animal vivo; tampouco suportam comer carne crua. Foi por isso que criamos o fogo, o cozimento e os temperos — artifícios necessários para adaptar o alimento à nossa fragilidade.
Ontem mesmo percebi isso de forma clara: fiz uma conta rápida e notei que, no meu prato, havia sete alimentos diferentes, todos aquecidos e preparados com cuidado e delicadeza. Um tigre não precisa disso. Um crocodilo, ou qualquer outro animal de grande porte, também não. Eles apenas caçam, mordem, arrancam a carne crua e se alimentam — sem necessidade de processos complexos. Além disso, existem alimentos que só nós, humanos, comemos. Assim como existem milhões de outras coisas que apenas nós fazemos — práticas, invenções e comportamentos que não se repetem em nenhuma outra espécie.
A própria água, base da vida, é um mistério: não sabemos ao certo sua origem. O mesmo vale para a matemática, para a consciência e para tantos outros aspectos da existência. Conhecemos mais do espaço do que do fundo dos oceanos, e há bilhões de indícios que nos fazem questionar se realmente somos parte orgânica deste planeta. Os animais, sim, parecem pertencer naturalmente à Terra. Nós, não.
E ainda há um detalhe essencial: para que chegássemos ao patamar em que estamos hoje, incontáveis coisas precisaram dar certo. Cada processo do corpo humano depende de milhões de pequenos detalhes funcionando em harmonia. É como se nossa existência fosse fruto de uma combinação improvável, algo que parece mais planejado do que simplesmente fruto do acaso.
E quando você começa a estudar e se aprofundar em certos assuntos, percebe o quanto o ser humano é pequeno. Percebe o quanto, diante da imensidão do universo, nós não somos praticamente nada.
Talvez, ao tentar transformar Marte em um lugar habitável, estejamos apenas repetindo o que ocorreu aqui bilhões de anos atrás: adaptar um mundo hostil para nos receber.
E a reflexão que fica é simples e profunda: se não somos da Terra, quem somos de fato?

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